Estudo Teórico-prático da Doutrina Espírita

Ä A Idéia da Reencarnação através dos Tempos:

A reencarnação não foi inventada pelo Espiritismo. Ela consta nos princípios de diversas religiões orientais desde a mais remota antigüidade.

Conhecida como Palingenesia (palin, de novo, gênesis nascimento) entre os povos da Antigüidade e ora denominada Metensomatose pelos modernos investigadores, a Reencarnação significa o retornar do Espírito ao corpo tantas vezes quantas se tornem necessárias para o autoburilamento, libertando-se das paixões e adquirindo experiências superiores, sublimando as expressões do instinto ao mesmo tempo em que desenvolve a inteligência e penetra nas potencialidades transcendentes da intuição. É o renascimento no corpo físico.

A Palingenesia ou Doutrina das Vidas Sucessivas já se encontrava nas grandes religiões do Oriente e nas obras filosóficas mais puras e elevadas. Guiou na sua marcha as civilizações do passado e perpetuou-se de idade em idade. Apesar das perseguições e dos eclipses temporários, reaparece e persiste através dos séculos em todos os países.

* Hinduismo - Também chamado Bramanismo, é considerado como a mais antiga religião do mundo. Seus livros sagrados são os Vedas e, posteriormente, os Upanichades.

Os Vedas remontam a datas muito recuadas. O mais antigo, e o mais importante deles, o RIGVEDA, deve ter existido a 10.000 A. C.

Os Upanichades, palavra sânscrita que significa "sentar-se ao lado", isto é "lição oral", são considerados como conclusão dos Vedas.

Em um dos Upanichades encontramos referência à Reencarnação, como esta: "Dentro do útero da mulher o homem obtém um corpo, seja ele bom ou mau. A alma, porém, é a semente de todos os seres, e pela alma é que as criaturas existem..." "... E sejam quais forem as ações que eles pratiquem, tudo quanto foi feito num corpo anterior deve, sem dúvida alguma, ser gozado ou sofrido..."

* Jainismo - que vem do século VI A. C., é uma rica e influente derivação do hinduísmo, e, acima de tudo, a doutrina da não-violência e conta com alguns milhões de adeptos na Índia de nossos dias. Na sua Filosofia encontramos que: "Nossa vida presente nada mais é do que um elo da grande cadeia do circuito transmigratório." A Doutrina do Carma perde a significação se estiver ausente uma doutrina de transmigração amplamente desenvolvida.

* Budismo - fundado pôr Sidharta Gautama, mais tarde conhecido como Buda, dizia que o espírito humano necessitava passar pela corrente dos renascimentos para alcançar o Nirvana, isto é, a identificação do espírito humano com Deus.

 

* Egito e a Grécia - adotaram a mesma doutrina. À sombra de um simbolismo mais ou menos obscuro, esconde-se pôr toda a parte a universal Palingenesia.

A Reencarnação era festejada pelos egípcios nos mistérios de Ísis, e, pelos gregos, nos de Elêusis, com o nome de mistérios de Perséfone, em cujas cerimônias os iniciados tomavam parte.

Na Grécia encontramos a doutrina das vidas sucessivas nos poemas órficos; era a crença de Pitágoras, de Sócrates, de Platão, de Apolônio e de Empédocles.

A grande doutrina era conhecida no mundo romano. Ovídio, Vergílio, Cícero, em suas obras imorredouras, a elas fazem alusões freqüentes. Vergílio , na Eneida, assevera que a alma, mergulhando no Letes, perde a lembrança das suas existências passadas.

A Escola de Alexandria, deu-lhe brilho vivíssimo.

Os Livros Sagrados dos Hebreus, o ZOHAR, a CABALA, o TALMUDE, afirmam igualmente a preexistência e, com o nome de Ressurreição, a reencarnação era a crença dos fariseus e dos essênios.

Ä A Ressurreição e a Reencarnação

A Reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de Ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acabava com a morte, não acreditavam nisso. As idéias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saber precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo nome Ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama Reencarnação. Com efeito, a Ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos.

Ä A Reencarnação está na Bíblia?

Diversas passagens de maneira clara ou indireta, contidas nos ensinamentos de Jesus e dos profetas, mostram que a reencarnação está na Bíblia:

A primeira e mais importante alusão à doutrina das vidas sucessivas se acha contida exatamente no mandamento inicial do Decálogo. Vamos olha-lo com olhos de ver: * Eu sou Jeová, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa de servidão... porque eu, Jeová, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, na terceira e na Quarta geração daqueles que me aborrecem, e uso misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos (Êxodo, 20:2,6.)

Nessa tradução fiel, entendemos que não são os netos ou bisnetos que pagarão pelos erros de seus avós e bisavós, pois então se poderiam cometer os mais atrozes crimes e os descendentes os pagariam. O acerto de contas é feito pôr nós mesmos, nas gerações ou renascimentos seguintes, quando estaríamos de retorno, animando a personalidade de netos e bisnetos.

Aparecem com maior ou menor clareza e veladamente em trechos isolados, aparentemente desconexos, como estes, pôr exemplo:

* (Job 1:21).

"Nú saí do ventre de minha mãe e nú tornarei para lá"

Uma análise do trecho autoriza tranqüilamente o entendimento de uma realidade insofismável: a de que as leis divinas nos concedem um corpo de carne cada vez que precisamos voltar à Terra para viver aqui as experiências e os testes que nos são necessários ao processo evolutivo.

* (Malaquias 4.5-6)

"Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor; e converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição"

* (Jó 8. 8-9).

"Porque, eu te peço, pergunta agora às gerações passadas, e prepara-te para a inquirição de seus pais.

Porque nós somos de ontem, e nada sabemos, porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra".

* Em João 3. 3 –12, encontramos a elucidativa palestra de Jesus com Nicodemos:

"Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pôr ventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?

Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.

O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?

Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?

Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos: e não aceitais o nosso testemunho.

Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?"

(Mateus 17.9-13) – Referência de João Batista ser Elias reencarnado.

"E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dos mortos.

E os discípulos o interrogaram, dizendo: porque dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro?

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro e restaurará todas as coisas;

Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o filho do homem.

Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista".

* "Quando encontra o cego de nascença, os discípulos perguntam-lhe se esse homem nasceu cego por causa dos pecados dos pais ou dos pecados que cometeu antes de nascer. Acreditavam, pois, na possibilidade da reencarnação e na preexistência possível da alma...

O Cristianismo primitivo possuía, pois, o verdadeiro sentido do destino.

* (Na 1ª. Epístola de Paulo aos Coríntios- 15. 35-36)

"Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?

Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer".

E como mostra as citações acima, ela está explícita ou implicitamente contida na Bíblia, sendo necessárias as mais fantasiosas explicações para colocar ali outro sentido que não as múltiplas experiências na carne.

* Em suas Confissões" diz Santo Agostinho:

Não teria minha infância atual sucedido a uma outra idade antes dela extinta? ... Antes mesmo desse tempo, teria eu estado em algum lugar? Seria alguém? ...

"Durante todo o período da Idade Média, a Doutrina palingenésica ficou velada, porque era severamente proscrita pela Igreja, então toda poderosa; este ensino esteve confirmado nas sociedades secretas ou se transmitiu, oralmente, entre iniciados que se ocupavam com ciências ocultas.

* A transmigração das almas, acreditamos em São Gerônimo, foi ensinada por muito tempo como uma verdade esotérica e tradicional, que só devia ser confiada a pequeno número de eleitos. Orígenes admitia a preexistência da alma como uma necessidade lógica, na explicação de certas passagens da Bíblia, sem o que, dizia ele, poder-se-ia acusar Deus de iniqüidade.

Essas concepções, posto que repelidas pelos concílios, foram conservadas, mesmo no clero, por espíritos independentes, tal como o Cardeal Nicolas de Cusa, e, entre filósofos, pelos adeptos das ciências secretas, que transmitiam uns aos outros essas tradições, sob a chancela do sigilo..."

Racionalmente não há como negar a reencarnação. Se tivéssemos apenas uma oportunidade de vida terrena, a justiça de Deus seria incompreensível. O Pai, em sua imensa sabedoria, criou seus filhos em igualdade de condições e deu a eles igualmente as mesmas oportunidades de crescimento. Não fosse assim teríamos que admitir um Deus parcial, intolerante, injusto e severo, que permitiria todas as misérias e desigualdades sempre existentes no mundo, aquinhoando uns e castigando outros a seu bel prazer.

A pluralidade das existências é, pois, necessária ao aprimoramento das qualidades do ser imortal e para bem entender a justiça de Deus. Só pelas múltiplas oportunidades de vida poderemos compreender o amor do Criador por suas criaturas. Ele permite o aprendizado na carne para a conquista da verdadeira morada , a vida espiritual, através do esforço de cada um em vencer suas más tendências para atingir a plenitude, a perfeição.

Somos todos seres atrelados às leis divinas que regem o universo, quer acreditemos ou não. Uma delas é a lei de evolução dos seres. Seria insensatez supor que em apenas uma existência terrena, atingiremos a tão sonhada perfeição de que nos fala o Mestre em Mateus, capítulo V, versículos 44-48:

"Sede vós logo perfeitos, assim como vosso Pai Celestial é perfeito".

"Somente a reencarnação pode dizer ao homem de onde ele vem, para onde vai, por que se encontra na Terra e justificar todas as anomalias e todas as injustiças aparentes da vida" - (Allan Kardec).

"Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens" - (I Corintios 15.19).

Ä Grandes nomes que deram seu testemunho a favor da Reencarnação:

"Foi preciso chegar aos tempos modernos e à liberdade de pensar e de discutir publicamente, para que a verdade das vidas sucessivas pudesse renascer à grande luz da publicidade.

Foi em 1.857 que Allan Kardec publicou O Livro dos Espíritos, no qual expõe todas as razões filosóficas que o conduziram à admissão da teoria das vidas sucessivas, e é a ele, principalmente, que se deve a propagação dessa grande verdade.

É bom notar que a doutrina das vidas sucessivas foi vulgarizada, no último século, entre o grande público, pôr vários romancistas, tais como, Balzac, Théophile Gautier, George Sand, Victor Hugo, etc.

Podemos citar ainda grandes nomes que deram seu testemunho a favor da reencarnação:

Benjamim Franklin (1706 – 1790), norte americano escreveu: "Quando vejo que nada é aniquilado nos trabalhos de Deus, e nem uma gota d’água é desperdiçada, não posso supor que haja o aniquilamento das almas ... Assim, vendo que existo no mundo, acredito que, sob uma forma ou outra, sempre existirei. E, com todos os inconvenientes que a vida humana tende a oferecer, não farei objeções a uma nova edição da minha, esperando, contudo, que a errata da última seja corrigida..."

Johann Wolfgang Von Goethe (1749 – 1832), poeta, dramaturgo e filósofo alemão, respondeu a alguém, por ocasião do funeral do poeta Wieland: "Estou certo de que estive aqui, como estou agora, mil vezes antes e espero retornar mil vezes ..."

Henri Ford (1863 - 1947), industrial norte americano, disse numa entrevista: "Adotei a Teoria da Reencarnação quando tinha vinte e seis anos...Quando descobri a reencarnação foi como se tivesse encontrado um plano universal... A descoberta da reencarnação tranqüilizou a minha mente. Se vai registrar essa conversa, escreve-a de forma a tranqüilizar a mente dos homens. Eu gostaria de comunicar a outros a calma que a visão de uma longa vida nos dá".

Mohandas Karamchand Gandhi (1868 – 1948), líder nacionalista hindu, conhecido como Mahatma Gandhi, afirmou: "Não posso pensar em inimizade permanente entre homem e homem, e, acreditando, como acredito, na teoria do renascimento, vivo na esperança de que, se não nesta existência, mas em alguma outra, poderei abrir os braços a toda a Humanidade, num amplexo amigo."

"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a Lei", disse Allan Kardec. Graças a ele, graças à Escola Espírita, a crença nas vidas sucessivas da alma vulgarizou-se, espalhou-se por todo o Ocidente, onde conta hoje milhões de partidários. O testemunho dos Espíritos veio dar-lhe sanção definitiva.

Ä A Reencarnação baseada em Fatos:

As vidas sucessivas sustentam uma importante coluna que implica na manutenção também aí da harmonia universal e do equilíbrio e regularidade com que a natureza funciona, revelando sua justiça e retribuindo méritos. As árvores, as plantações que dão sombra e fruto, recebendo a água da chuva, o sol para aquecê-las, e as raízes buscando no subsolo não apenas o líquido, mas, também os resíduos alimentícios que a natureza coleta, até mesmo, pela ação das formigas que transportam do solo para o subsolo os elementos orgânicos indispensáveis a essa curiosa gangorra. É a natureza se refazendo contentemente, ela própria renascendo de suas cinzas, o líquen abastecendo-se das folhas secas e dos recursos minerais revolvidos no chão para o milagre da transformação permanente e do aproveitamento do que há de mais simples mais primário, tão indispensável quanto o mais sofisticado par o roteiro da continuidade da vida ..."

A reencarnação foi considerada como dogma, constante das crenças mais antigas, principalmente as orientais. O estudo e a pesquisa sistemática principiaram a ser feitos a partir do século XIX, tanto no Ocidente como no Oriente. Hoje em dia, pode afirmar-se que a reencarnação é objeto de investigação científica rigorosa. Por enquanto ela está enquadrada na área dos fenômenos paranormais, pelos aspectos nela contidos concernentes à memória extracerebral, e às marcas reencarnatórias de nascença (birthmarks). Acreditamos que tal enquadramento seja provisório, tendo em vista as suas mais amplas implicações com a Psicologia e a Biologia.

A importância da pesquisa da reencarnação, em bases científicas, está sendo reconhecida em todo o mundo, sendo raros os parapsicólogos que a ela não votem particular atenção.

Então, se perguntarmos o que poderia constituir uma genuína evidência da reencarnação, a única resposta possível parece ser a mesma que se daria à pergunta: "De que modo podemos saber que vivemos dias, meses ou anos anteriormente?" A resposta é de que agora nos recordamos de ter vivido naquela época, neste ou naquele lugar ou situação e haver feito, então, certas coisas e adquirido determinadas experiências.

Mas, haverá alguém que se lembre de ter tido uma existência na terra, anterior à presente?

Tanto as crianças como os adultos podem ter recordações da vida pré-vida. Há casos em que tantos uns como outros possuem conhecimento "inerente" e habilidades, tais como os idiomas estrangeiros, ou da própria reencarnação. Parece-me que todos possuímos esse tipo de conhecimento, sob certas circunstâncias. A causa dessa recordação é desconhecida; por vezes, aparente ser originária de um estímulo externo, operando através da associação.

Em certas circunstâncias, as informações estocadas na memória subconsciente da individualidade espiritual poderão aflorar, em forma de "memória extracerebral", na nova personalidade. Têm-se, então, as manifestações de comportamento e de lembranças reencarnatórias, isto é, oriundas da personalidade prévia.

Presume-se que certas circunstâncias poderão propiciar tais emersões mnemônicas de origem reencarnatória. Poderíamos enumerar algumas:

O Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas - IBPP - possuí, em seus arquivos, vários casos com minucioso documentário, de pessoas que tiveram recordações de suas vidas passadas.

O caso patrícia x Alexandra, contém muita evidência intrínseca, não só pelas circunstâncias que o rodeiam, como pela existência, no corpo da paciente, de marcas-de-nascença de origem reencarnatória (birthmarks).

"Suas recordações, quando criança, começaram a ser comunicadas aos parentes, mais ou menos aos dois anos e meio, praticamente quando começou a falar...

A personalidade atual, Patrícia, nasceu na cidade de Araraquara, Estado de São Paulo, no dia 14 de novembro de 1.939. Ela, além de professora primária, é formada em Direito e exerce elevado cargo em uma Empresa Estatal. Seus pais são brasileiros, descendentes de italianos.

Narra Patrícia:

"Mamãe conta e eu me recordo que aos dois anos e meio comecei a falar que havia vivido perto do Havre e que eu me chamava Alex Amadado Barralouf. Contei, também, que morri bem mocinha (15 anos mais ou menos), de um tiro que um soldado me havia dado (por dedução lógica, penso ter sido na Primeira Grande Guerra).

Ela dizia que o Havre era um porto e lá se viam muitos navios. Isto ela afirmava sempre, falando assim: "Eu ia sempre passear no Havre e, no porto, eu avistava os navios passando." Patrícia relatou várias vezes este episódio, quando tinha apenas dois anos e meio de idade.

"ao narrar o episódio de sua morte, em lugar de dizer que fora assassinada com um tiro, falava que lhe haviam dado uma garruchada.

Na entrevista do dia 12 de setembro de 1.973, foi feito exame no próprio corpo da paciente, afim de verificar-se a possibilidade de existirem vestígios de ferimento causado pela bala. Imediatamente foram encontradas duas marcas cutâneas; uma delas na frente, pouco abaixo do seio esquerdo; uma outra, simétrica, nas costas, ao nível do rim esquerdo. O primeiro sinal tinha o aspecto de uma cicatriz oriunda de ferimento perfuro-contuso. O segundo sinal era maior, um tanto saliente, fazendo lembrar a cicatriz de algo de dentro para fora, dilacerando os tecidos da pele. Os dois davam a impressão das cicatrizes produzidas pôr um projétil que houvera atravessado transversalmente o corpo de Patrícia. O perfil das marcas, vistas lateralmente, forma um ângulo de 15 graus, aproximadamente, com a horizontal, mostrando que o suposto projétil fora disparado pôr uma pessoa mais alta que a paciente. Este detalhe acrescenta mais evidência à suposição de que se trata das marcas da bala que teria matado Alex.

O episódio da própria morte deve ter calado profundamente na memória de Patrícia. De fato, vamos rever o incidente ocorrido com ela, em Araraquara, quando tinha cerca de três anos de idade. Repitamos o relato de sua prima D. Dora, de 28 DEZ 78:

"Eu e ela estávamos defronte à Casa Barbieri, em Araraquara. Essa casa era famosa na época, lembrava os supermercados de agora. Patrícia, então, viu um soldado dentro da casa comercial e começou a gritar e a dizer: ele me matou, ele me matou, ele atirou aqui, e mostrava o peito. Fez um escândalo, jogou-se no chão, chamou a atenção do quarteirão inteiro. Eu fiquei envergonhada e saí correndo para chamar minha tia Irma, pois não sabia o que fazer. Patrícia passou o dia todo emburrada e falando: ele me matou."

"Em seus estudos de línguas, sempre mostrou grande felicidade para aprender o idioma francês.

"Na entrevista do dia 6 de julho de1.971, Patrícia declarou o seguinte: ‘Noto grande facilidade para aprender o francês. Cursei a Aliança Francesa, até o segundo ano apenas. Quanto ao inglês, confesso que sinto grande dificuldade. Sempre tive aversão ao alemão’.

"Vê-se, pelas declarações de Patrícia, que ela não tem facilidade para o aprendizado de línguas, exceto o francês. O interessante é que, sendo oriunda de famílias italianas, tanto pôr parte do pai como da mãe, e convivendo com avós e tios italianos, ela não se refere ao idioma italiano.

"Portanto, é um fato inesperado que, no seio de uma família italiana, haja surgido uma garotinha que revelasse tanta afinidade pela França. Este país pertencia aos aliados que lutavam contra alemães e os italianos.

Outros casos irrefutáveis de Reencarnação:

Autodidata em Matemática, Química e Física, em dois anos completou os seis anos da High School.

A conselho dos professores, os pais de Matthew decidiram matriculá-lo numa escola superior. Hoje, seus colegas de classe são rapazes e moças de mais de 18 anos.

Comporta-se normalmente como um menino da sua idade e se diferencia, apenas, quando penetra na intimidade dos livros de Cálculos Avançados, Mecânica, Física, Química, etc.

Kristen possui um QI acima da média, sendo que, com somente um ano de idade formulava, com correção, frases inteiras e, aos 04 anos falava com facilidade vários idiomas.

Com um ano e nove meses, a mãe de Michelle e sua professora de piano a surpreenderam tocando as cinco primeiras notas do Concerto Número Um de Tchaikowsky. Ela então se tornou atração na cidade de Eunápolis, nos sul da Bahia, onde já reuniu mais de mil pessoas numa audição.

Como explicar os minigênios?

Só a Reencarnação poderá esclarecer essa facilidade incrível de realização e aprendizagem, que caracteriza as crianças super-dotadas. São Espíritos que adquiriram, no passado – em existências anteriores (no plano físico) e no Mundo Espiritual – conhecimento e habilidade, e conseguem, precocemente, revelar ao mundo suas aptidões.

"Destes estudos, muita coisa surgirá acerca do renascimento. A reencarnação, há algum tempo considerada uma simples crença e até mesmo uma superstição, está atualmente ganhando outro nível conceitual nos meios mais cultos. O conceito da verdade está, sem dúvida, na evidência dos fatos. Desse modo, podemos esperar serenamente que a reencarnação será, dentro em breve, reconhecida como mais uma lei biológica; talvez a mais importante de todas ela."

<><><><><><><><><><><><><>

BIBLIOGRAFIA:

DELLANE, Gabriel – A Reencarnação – Revista histórica sobre a teoria das vidas sucessivas – páginas 17 à 31; As recordações de vidas anteriores – páginas 208/230.

DENIS, Léon – Cristianismo e Espiritismo – Sobre a reencarnação – páginas 273 à 276.

DENIS, Léon – O Problema do Ser, do destino e da dor – As vidas sucessivas – parte 2, páginas 268 à 286.

LACERDA, Nair – A reencarnação através dos séculos – Editora Pensamento.

MIRANDA, Hermínio C. – A reencarnação na Bíblia – O primeiro mandamento – páginas 41/42; Referências veladas – páginas 67-69; Quem pecou? - Páginas 71-74;

O problema da preexistência - páginas 79/86; O tempo das decisões – páginas91/93.

ANDRADE, Hernani Guimarães – Reencarnação no Brasil prefácio Um marco na pesquisa da sobrevivência e da reencarnação – Editora o Clarim; A reencarnação e sua pesquisa científica – páginas 03/09; O caso patrícia x Alexandra – páginas 237/285.

STEVENSON, Ian – Vinte casos sugestivos de reencarnação prefácio – páginas7/9;

Dois casos sugestivos de reencarnação no Brasil – páginas 239/283.

Apostila da Federação Espírita do Paraná – Estudo sistematizado da Doutrina Espírita – Programa I, Unidade II. 5.3 e 5.4.

Revista Espírita Allan Kardec – volume I – Gráfica e Editora Espírita Paulo de Tarso – Goiânia/GO.