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Estudo Teórico-prático da Doutrina Espírita
Ä Necessidade da Vida Social: A vida social é uma lei
da natureza a que o homem não pode se esquivar, sem prejudicar-se, pois é por
meio do relacionamento entre os seus semelhantes que ele desenvolve as suas
potencialidades. Deus lhe deu a fala e outras faculdades necessárias para
que, através da vida em sociedade, pudesse evoluir. A sociabilidade é
instintiva e obedece a um imperativo categórico da lei do progresso que rege
a Humanidade. Ensina Rodolfo Calligaris
no seu livro "As Leis Morais", que Deus, em seus sábios desígnios,
não nos fez perfeitos, mas fez-nos "perfectíveis"; assim, para atingirmos
a perfeição a que estamos destinados, todos precisamos uns dos outros, pois
não há como desenvolver e burilar (aperfeiçoar, apurar) nossas faculdades
intelectuais e morais senão no convívio social, nessa permuta constante de
afeições, conhecimentos e experiências, sem a qual a sorte do nosso espírito
seria o embrutecimento e a estiolação (enfraquecimento). Kardec comentado a
questão 768 de "O Livro dos Espíritos, ensina que: "Homem nenhum
possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às
outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso
é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em
sociedade e não insulados." Somente de forma gradual,
através do trabalho e do progresso, que o homem irá adquirir a
auto-suficiência, estando por conseqüência, dependente de seus semelhantes. As faculdades humanas não
estão desenvolvidas no mesmo grau e, em decorrência disso, assevera Deolindo
Amorim, na obra "A Doutrina Espírita", que "Há necessidade de
viverem uns pelos outros e para os outros, tendo como ponto convergente o bem
comum." E complementa Joanna de
Ângelis, no livro Leis Morais da vida, psicografado por Divaldo Pereira
Franco, no capítulo intitulado "Intercâmbio social", que: "O
homem, inquestionavelmente, é um ser gregário (adj. Relativo a
grei; que faz parte de uma grei ou rebanho; que vive em bando. (Do lat. gregariu.)),
organizado pela emoção para a vida em sociedade." "... A vivência
cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de
fraternidade, no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo, resolvendo
dificuldades e consertando problemas..." "... Viver o Cristo
é também conviver com o próximo, aceitando-o conforme suas imperfeições, sem
constituir-lhe fiscal ou pretender corrigi-lo, antes acompanhando-o com
bondade, inspirando-o ao despertamento e à mudança de conduta de motu próprio
(termo latino que quer dizer espontaneamente)." A vivência social,
pressupõe respeito a determinadas normas de conduta, para se tornar mais
harmoniosa e pacífica. Para isso é
imprescindível a aquisição de virtudes relacionadas a si mesmo como amor ao
trabalho, responsabilidade, equilíbrio e virtudes em relação à comunidade
como gentileza, generosidade, tolerância e respeito. Ä Vida de Isolamento: O insulamento absoluto a
pretexto de servir a Deus, constitui uma violência à Lei Natural,
caracterizando-se por uma fuga injustificável às responsabilidades do
cotidiano. Se o homem busca a vida
em comunidade de modo a concorrer para o progresso, através da ajuda
recíproca, a solidão torna o homem improdutivo e inútil para seus
semelhantes. A solidão contraria o próprio instinto de conservação e de
perpetuação da espécie, não contribuindo para o progresso, embrutecendo e
também enfraquecendo o homem. Aqueles que se isolam,
fugindo ao convívio social, revelam uma dose de egoísmo sendo condenável
quando, quando esta conduta não é de utilidade para os outros. Aqueles cuja
retirada do convívio social tem por fim prestar serviço ao próximo, terão a
seu favor a prática das Leis do Trabalho e da Caridade. Ä Voto de Silêncio: Estado de uma pessoa que se abstém, se priva ou se
recusa a falar. O voto de silêncio
prescrito por certas seitas desde a antigüidade, demonstra uma incompreensão
das verdadeiras Leis de Deus. O voto de silêncio
absoluto, da mesma forma que o voto de isolamento, priva o homem das relações
sociais que podem lhe fornecer as ocasiões de fazer o bem e de cumprir a Lei
de Progresso. Ä Laços de Família: A história da Humanidade
revela-nos que o homem sempre viveu em grupo, sendo por isso definido com um ser
social. Assim, a evolução do
homem está escrita na história de suas instituições, das quais a família
e a principal delas. Enquanto instituição,
essa forma de vida grupal passou por diferentes etapas até chegar ao estágio
atual. Em cada uma dessas etapas, a família foi formada atendendo ao nível de
desenvolvimento da consciência do ser humano, que continuamente inova valores
morais e éticos. Através de estudos comparativos
a Antropologia mostra que as diferentes sociedades concebem de forma
variável o casamento, o parentesco, a residência e a vida doméstica. O conceito de família
está ligado a grupos sociais concretos e relacionados ao modelo
cultural e à sua representação em nossa sociedade. O termo família pode
significar toda a rede de parentesco e afinidade. Culturalmente a família é
definida como conjugal ou nuclear. Sociologicamente, a
família é um grupo primário permanente, mais ou menos involuntário, porque é
genético em sua essência. Sua principal função é criar o ambiente natural em
que vão desenvolver os caracteres sociais do indivíduo. A família é a
transmissora e mantenedora da continuidade da vida psíquica. Como agente
educador, a família exerce a função socializadora transmissora da herança cultural
e social, durante os primeiros anos de vida: linguagem, usos e
costumes, valores, crenças, etc. ... Prepara assim, a criança
para seu ingresso na sociedade, proporcionando a conquista de diferentes
status: étnico, nacional, religioso, residencial, de classe, político e
educacional. As funções da família tem
apresentado variações através dos séculos. Além da função educacional, três
outras se destacam: sexual, reprodutiva e econômica. As duas primeiras funções
proporcionam a satisfação das necessidades sexuais e os requisitos para a
reprodução. Atualmente, é impossível uma concepção única e genérica de
família que passa atender à complexidade da formação social. O tipo predominante em
quase todas as sociedades é à família conjugal, ou nuclear também chamada,
elementar ou biológica, formada pelo casal e filhos. Como todos os grupos
sociais, a família sofre diretamente os efeitos do sistema econômico –
político – social – cultural – ético, no qual está inserido. Do ponto de vista da
psicologia, a família pode ser definida como um sistema de laços emocionais,
diretamente responsável pela formação da estrutura psíquica de cada
indivíduo. É através das figuras parentais pai, mãe ou substitutos, que
se transmite às crianças os padrões comportamentais. É através destas relações
que vai nascendo na criança a percepção de si mesma e dos outros, e a maneira
de interagir no meio social. É na família que cada ser adquire as bases do comportamento,
da identidade sexual, das noções de direitos e deveres e ainda a
forma, como lidar com afetos e emoções como amor, ódio, desprendimento e
egoísmo... Outra função básica da
família é a de preencher as necessidades amorosas e de ajuda mútua entre
adultos. Daí a importância do
casamento, da união para a qual não se encontrou melhor substituto. O Espiritismo, nos
esclarece, que os espíritos são herdeiros de si próprios e que a tarefa dos
pais é de orientar os filhos, dando-lhes apoio e sustentação para caminharem
na busca da perfeição. A Doutrina Espírita, traz ao nosso conhecimento um
outro tipo de família, além dessa constituída pelos familiares consangüíneos:
a família espiritual, que é constituída por espíritos que tem
afinidade moral e intelectual. Os que encarnam, numa
família, sobretudo como parentes próximos, são as mais das vezes, Espíritos
simpáticos, ligados por relações anteriores, que se expressam, por uma
afeição recíproca na vida terrena. Também pode acontecer
sejam estranhos, afastados por antipatias anteriores, traduzidas por mútuo
antagonismo. Os verdadeiros laços de
família não são os da consangüinidade, e sim os da simpatia e comunhão de
idéias, os quais prendem os espíritos antes, durante e depois de suas
encarnações. Há, pois, duas espécies de famílias: As ligadas por laços
espirituais e as ligadas por laços corporais. As primeiras são duráveis e se
fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através da
várias encarnações; as segundas são frágeis, se extinguem com o tempo. Apesar da fragilidade da maioria
dos laços corporais, a família terrena é instituição Divina que tem por
finalidade estreitar os laços sociais, ensinando-nos a amarmo-nos como
irmãos. Esse aprendizado da fraternidade vai se efetuando nas famílias,
inicialmente, com relações afetivas frágeis, até as que estabelecem relações
de amizade recíproca de forma sublimada. A convivência em família, tem como
objetivo desenvolver a amizade e simpatia entre as criaturas. Joanna de Ângelis,
através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco nos define a família: "A família é a
abençoada escola de educação moral e espiritual, oficina santificada onde se
lapidam caracteres, laboratório superior em que se caldeiam sentimentos,
estruturam aspirações, refinam idéias, transformam mazelas antigas em preciosas
possibilidades para a elaboração de misteres edificantes". É incontestável que a
família é a instituição mais importante em função de sua ação educadora. Por
trás de todos os grandes problemas familiares e sociais está o egoísmo que
torna as pessoas limitadas na sua visão de mundo e de si próprias. Daí a
importância do "conhecer-te a ti mesmo", base do ensinamento
Socrático , que pressupõe o conhecimento interior, antes do trabalho de
construção exterior junto, junto aos que compartilham vida comum. Ä Lei de Progresso - Introdução: O estado natural é a
infância da humanidade, e o ponto de partida de seu desenvolvimento intelectual
e moral. O homem carregando em si o gérmen de seu aperfeiçoamento, não
está destinado a viver perpetuamente no estado natural, como não viverá
eternamente na infância. O estado natural é transitório e o homem
liberta-se pelo progresso e pela civilização. Por isso, estado
natural e lei natural, não são a mesma coisa. A lei natural, rege
a humanidade inteira, e o homem se aperfeiçoa à medida que compreende e
pratica melhor essa lei. No estado natural o homem tem menos necessidades, e
não tem todas as tribulações que ele cria para si num estado mais
aperfeiçoado; mas o homem não pode retrogradar a essa condição primitiva,
pois seria negar a lei do progresso, e o homem deve progredir sempre. Ä Marcha do Progresso: O homem possui em si a
força de progredir. Mas, nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma forma.
Pelo contato social, os mais avançados ajudam o progresso dos outros. O progresso moral é
conseqüência do progresso intelectual, não o seguindo porém, sempre
imediatamente. O progresso intelectual
pode conduzir ao progresso moral, pois lhe proporciona melhores condições de
compreender o bem e o mal, fornecendo ainda, maiores subsídios no
momento da escolha entre um e outro. O desenvolvimento do livre-arbítrio,
segue o desenvolvimento da inteligência, e, consequentemente,
aumenta a responsabilidade dos atos. Cumpre neste momento, a
importante observação de que povos muito esclarecidos, às vezes, são os mais
pervertidos porque o moral e a inteligência, são duas forças que não se
equilibram senão com o tempo. O progresso completo, é o objetivo nos
indivíduos e povos. Ao homem não é dado o poder de deter o progresso, mas
pode entravar algumas vezes. O progresso é uma força
viva, que as más leis podem retardar, mas não sufocar. Quando essas leis se
tornam incompatíveis com Justiça Divina (bem de todos), quando feitas para o
forte em prejuízo do fraco, elas serão afastadas e todos os que tentam
mantê-las. Mesmo os homens que
entravam o progresso de boa-fé, crendo favorecê-lo porque o vêem sob seu
ponto de vista, não conseguirão detê-lo. Há o progresso regular e lento que
resulta da força das coisas. Mas quando um povo não avança muito
depressa, a Providência Divina suscita, de tempos em tempos, um abalo
físico ou moral, que o transforma. O homem não pode ficar
perpetuamente na ignorância, porque deve atingir o fim que lhe foi demarcado.
As revoluções morais e sociais, se infiltram pouco a pouco e se desenvolvem
durante séculos, e de repente, estouram, trazendo abaixo os antigos hábitos. Observando o conjunto,
veremos que o homem avança sempre, compreendendo cada vez melhor o que é mal
e corrigindo abusos. É preciso, às vezes, excesso do mal para se compreender
a necessidade do bem, das reformas. O maior obstáculo ao
progresso é o orgulho e o egoísmo. Referimos ao progresso moral, porque o
intelectual caminha sempre. Quanto à moralidade, está muito longe do patamar
desejado, mas os costumes sociais avançam enormemente se compararmos a alguns
séculos atrás. Duvidar seria admitir que
a humanidade já chegou à perfeição ou que não é perfectível. Ä Povos Degenerados: A história nos mostra que
muitos povos, após abalos que os agitaram, caíram na barbárie. Estando
pobres, habitaram um casebre; ficando ricos trocaram-no por um palácio. Os
espíritos que estão encarnados nesses povos degenerados, não são aqueles que
o compuseram ao tempo de seu esplendor. Os que avançaram, foram para
habitações mais perfeitas e progrediram, enquanto os menos avançados tomaram
o seu lugar. Há povos que são rebeldes
ao progresso, por sua própria natureza. Mas, se aniquilam corporalmente cada
dia. Eles também atingiram a perfeição passando por outras existências. Os homens
mais civilizados, foram os selvagens e antropófagos de antigamente. Como tudo
passa pela infância, idade madura e decrepitude, os povos mais avançados
também passarão pelo declínio e fim. Aqueles cujas leis egoístas discordam do
progresso das luzes e da caridade, morrem; porque a luz mata as trevas e a
caridade mata o egoísmo. Mas há a vida da alma. Os que se harmonizam com as
leis do Criador serão a luz de outros povos. Serão sempre necessárias
leis adequadas a essas necessidades que caracteriza cada povo; porém quando a
Lei de Deus for a base da lei humana os povos praticarão a caridade uns com
os outros. A humanidade progride
pelos indivíduos que se aperfeiçoam e se esclarecem. De tempos em tempos,
surgem os gênios , homens com autoridade, instrumentos que fazem avançar
alguns séculos. Quando todos os povos
estiverem ao mesmo nível pelo sentimento do bem, a Terra será ponto de
encontro de espíritos bons, que viverão unidos fraternalmente. Os obstinados no mal,
encontrando-se deslocados e repelidos, irão para os mundos inferiores que
lhes convenham até transformarem-se. Ä Civilização: Encontramos em "O
Livro dos Espíritos, na questão 790, a seguinte indagação: "A
civilização é um progresso ou, segundo alguns filósofos, uma decadência da
humanidade?" Resposta – "É um
progresso incompleto. Não se passa subitamente da infância à idade
madura." Não é racional condenar a
civilização. Devemos condenar quem dela abusa. Quando o moral estiver tão
desenvolvido quanto a inteligência, os males que a civilização produziu
desaparecerão. O fruto não pode vir antes da flor. A civilização não
realiza, imediatamente, todo o bem que poderia produzir, porque os homens não
estão ainda prontos, nem dispostos a obter esse bem. A civilização cria novas
necessidades, superexcitando paixões novas. Todas as faculdades do Espírito
não progridem ao mesmo tempo. É preciso tempo, para tudo. Não podemos esperar
frutos perfeitos de uma civilização incompleta. Os sinais pelos quais,
poderemos reconhecer, uma civilização completa, serão com relação ao
desenvolvimento moral. Acreditamos estar bem avançados porque temos feito
grandes descobertas e invenções maravilhosas. Pelo fato de estarmos melhores
alojados e vestidos que os selvagens. Mas, só seremos verdadeiramente
civilizados quando tivermos banido de nossa sociedade, todos os vícios que a
desonram, e quando pudermos viver como irmãos, praticando a caridade cristã. Até lá seremos apenas
povos mais esclarecidos. A civilização tem seus
graus, como todas as coisas. Uma civilização incompleta, é um estado de
transição que engendra males especiais, desconhecidos no universo primitivo.
À medida que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns desses males. De dois povos chegados ao
cume da escala social, só poderá dizer-se o mais civilizado, aquele com que
se encontre menos egoísmo, menos cupidez, menos orgulho; onde os hábitos
sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde os preconceitos de
casta e de nascimento estejam menos enraizados, pois esses preconceitos são
incompatíveis com o verdadeiro amor ao próximo; onde as leis não consagrem
nenhum privilégio; onde a justiça se exerça com menos parcialidade; onde o
fraco sempre encontre apoio contra o forte e nunca lhe falte o necessário
para viver com dignidade. Ä O Progresso da legislação Humana: As sociedades poderiam
ser regidas somente pelas leis naturais, sem o concurso das leis humanas, se
os homens as compreendessem bem e tivessem vontade de as praticar. Mas as
sociedades, tem suas exigências e precisam de leis particulares. A instabilidade das leis
humanas, resultam da falta de compreensão da verdadeira justiça. Nos tempos
da barbárie, os mais fortes faziam as leis e as faziam para eles. Foram sendo
modificadas à medida que foram compreendendo melhor a justiça. As leis
humanas são mais estáveis, à medida que se aproximam da verdadeira justiça;
quer dizer, à medida que elas são feitas para todos e se identificam com a
lei natural. A civilização criou para
o homem novas necessidades. Essas necessidades estão relacionadas com a
posição social. Há que se regrar os direitos e os deveres, dessa posição
pelas leis humanas. Mas, sob a influência de
suas paixões, eles criam direitos e deveres imaginários, que afrontam à lei
natural. A Lei Natural, é imutável
é a mesma para todos. A lei humana, é variável
e progressiva. Somente esta pode consagrar na infância das sociedades, o
direito do mais forte. A severidade das leis penais, é uma necessidade no
atual estágio evolutivo. Uma sociedade corrompida, tem necessidade de leis
mais severas. Infelizmente, essas leis se interessam mais em punir o mal,
quando já feito, do que secar a fonte do mal. Nada melhor do que a
educação para reformar os homens. O homem será levado a
reformar suas leis, naturalmente, pela força das coisas e a influência das
pessoas de bem, que o conduzem no caminho do progresso. Ele já reformou
muitas e reformara outras. Ä A Influência do Espiritismo sobre o Progresso: Questão 798 de "O
Livro dos Espíritos" - 798. O Espiritismo se tornará
crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas
pessoas? Resposta: "Certamente que se tornará crença geral
e marcará nova era na história da humanidade, porque está na Natureza e
chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos. Terá, no
entanto, que sustentar grandes lutas, mais contra o interesse, do que contra
a convicção, porquanto não há como dissimular a existência de pessoas
interessadas em combatê-lo, umas por amor-próprio, outras por causas inteiramente
materiais. Porém, como virão a ficar insulados, seus contraditores se
sentirão forçados a pensar como os demais, sob pena de se tornarem
ridículos." Complementa Kardec: "As idéias só com o tempo se
transformam; nunca de súbito. De geração em geração, elas se enfraquecem e
acabam por desaparecer, paulatinamente, com os que as professavam, os quais
vêm a ser substituídos por outros indivíduos imbuídos de novos princípios,
como sucede com as idéias políticas. Vede o paganismo. Não há hoje mais quem
professe as idéias religiosas dos tempos pagãos. Todavia, muitos séculos após
o advento do Cristianismo, delas ainda restavam vestígios, que somente a
completa renovação das raças conseguiu apagar. Assim será com o Espiritismo.
Ele progride muito; mas, durante duas ou três gerações, ainda haverá um
fermento de incredulidade, que unicamente o tempo aniquilará. Sua marcha,
porém, será mais célere que a do Cristianismo, porque o próprio Cristianismo
é quem lhe abre o caminho e serve de apoio. O Cristianismo tinha que
destruir; o Espiritismo só tem que edificar." O Espiritismo pode
contribuir para o progresso, destruindo o materialismo, que é uma chaga da
sociedade, fazendo os homens compreenderem onde está o seu verdadeiro
interesse. A vida futura, não
estando mais velada pela dúvida, possibilitará ao homem compreender melhor
que ele pode assegurar seu futuro pelo presente. Destruindo os preconceitos
de seitas, castas e de cor, há o ensinamento aos homens da grande
solidariedade que deve uni-los como irmãos. Não é de temer que o
Espiritismo possa não triunfar pela negligência dos homens e de seu apego às
coisas materiais. Não se pode transformar os homens como por encanto. As
idéias se modificam, pouco a pouco segundo os indivíduos, e é preciso
gerações para apagar completamente os velhos hábitos. A cada geração, uma parte
do véu se dissipa. O Espiritismo veio rasgá-lo completamente. Até lá, mesmo
que só tivesse o efeito de corrigir um homem, de um só dos seus defeitos,
seria um passo bem grande, pois esse primeiro passo tornaria outros mais
fáceis. Os Espíritos não ensinaram em todos os tempos o que ensinam hoje,
pois não damos a um recém-nascido um alimento que ele não possa digerir. Cada
coisa em seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens não
compreenderam ou não quiseram. Complementa a questão 802
de "O Livro dos Espíritos" 802. Visto que o
Espiritismo tem que marcar um progresso da Humanidade, por que não apressam
os Espíritos esse progresso, por meio de manifestações tão generalizadas e
patentes, que a convicção penetre até nos mais incrédulos? Resposta: "Desejaríeis milagres; mas Deus os
espalha a mancheias diante dos vossos passos e, no entanto, ainda há homens
que o negam. Conseguiu, porventura, o próprio Cristo convencer os seus
contemporâneos, mediante os prodígios que operou? Não conheceis presentemente
alguns que negam os fatos mais patentes, ocorridos às suas vistas? Não há os
que dizem que não acreditariam, mesmo que vissem? Não; não é por meio de
prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em Sua bondade, Ele lhes deixa
o mérito de se convencerem pela razão." Bibliografia:
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