| Unidade 41 TEMA: Desenvolvimento Mediúnico – Introdução. Do Papel do Médium nas Comunicações Espíritas – Estado do médium no fenômeno mediúnico. Reação dos médiuns diante dos estímulos transmitidos pelos espíritos. Sistemas criados como tentativas para explicar os fenômenos espíritas; Considerações gerais. Da Influência Moral do Médium - Existência da faculdade mediúnica independente da moral do médium; A importância da moral do médium na prática da mediunidade; Lei das Comunicações; Características dos médiuns bons; Caracteres dos médiuns imperfeitos; Conseqüências do mau uso da mediunidade. |
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Ä Introdução: Para introduzirmos os temas acima enunciados recorremos às palavras de André Luiz (Espírito), extraídas do livro "Nos Domínios da Mediunidade", psicografia de Francisco Cândido Xavier: Ä Do Papel dos Médiuns nas Comunicações Espíritas : Existem dois aspectos já estudados e que são fundamentais para a compreensão do papel dos médiuns nas comunicações espíritas: 1) - A faculdade mediúnica é um dom inerente a todos os seres humanos, tanto quanto a faculdade de respirar o é. O espírito encarnado une-se ao corpo molécula a molécula, através do perispírito, que é a forma do organismo, constituindo um todo indivisível. Disto resulta uma interação psico-fisiológica, isto é um conjunto de ações e reações recíprocas entre a alma (ser pensante e encarnado) e o corpo (veículo de manifestação daquela). Assim, se a alma se manifesta através do organismo, age e reage por meio deste, podemos concluir que a faculdade mediúnica tem raízes orgânicas e é acionada pela alma (ser inteligente).
2) - Um espírito ao comunicar-se com o médium o faz por intermédio da combinação de fluidos perispiríticos dos dois seres (espírito e médium), formando como que uma atmosfera fluídico espiritual comum às duas individualidades, e é justamente essa atmosfera comum que torna possível, ou favorece a transmissão do pensamento, que se faz assim de espírito (ser desencarnado) para a alma (ser encarnado) e, esta, pela ação que exerce sobre o corpo, exterioriza o conteúdo desse pensamento pelos diferentes tipos de faculdades mediúnicas.
(psicografia, psicofonia, etc.) Esses aspectos acima colocados, aplicam-se a quase todos os tipos de faculdades mediúnicas e a qualquer grau de passividade do médium (consciente, semiconsciente ou inconsciente). Esse nível de consciência do fenômeno é apenas uma questão de aptidão própria de cada médium e da forma de manifestação e não da essência do fenômeno, que se processa sempre obedecendo ao mecanismo acima descrito. Ä Estado do Médium no fenômeno mediúnico: Estado de crise mais ou menos acentuado: a) - No sonambulismo natural o espírito do médium adquire maior independência com relação aos limites de seu corpo físico e, por essa razão, suas faculdades adquirem maior amplitude, podendo ter percepções que no estado normal se encontram embotadas. b) - O estado de êxtase é um sonambulismo mais apurado. Há maior independência da alma. (O Livro dos Espíritos, questão 439). Esses dois estados podem favorecer bastante o animismo, que é um estado em que, a própria alma do médium, adquirindo um certo grau de liberdade, pode recobrar suas qualidades de espírito (resultantes das experiências de suas vidas anteriores) e dar comunicações escritas ou verbais pela sua própria organização física.
Pode ainda comunicar-se por outros médiuns, da mesma forma como o fazem os espíritos (desencarnados), o que se constituiria então numa comunicação mediúnica entre encarnados. Obs: Foi mencionado acima, que no momento em que se exerce a faculdade, o médium está num estado mais ou menos acentuado de crise. Esta expressão "crise", merece algumas considerações: Ä Reação dos Médiuns diante dos estímulos transmitidos pelos Espíritos: Na comunicação mediúnica, o espírito do médium funciona como um intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para falar ou escrever: Assim, como numa comunicação à grande distância faz-se necessária a utilização de um fio elétrico e, na extremidade do fio uma pessoa inteligente que receba e transmita a mensagem, na comunicação mediúnica faz-se necessário que o espírito do médium funcione como esse fio ligando esses dois mundos - o material e o espiritual. Ä Sistemas criados como tentativas para explicar os fenômenos espíritas: Alguns sistemas tentaram explicar os fenômenos espíritas, achando que a verdadeira mediunidade estava num corpo inerte. O espírito comunicante identificava-se com o mesmo (uma mesa por exemplo) transmitindo-lhe vida e inteligência, e deram a esses objetos o nome de médiuns inertes. Isso, porém, cai por terra, se raciocinarmos sobre a impossibilidade de se admitir que uma mesa que receba esses atributos, fale ou escreva por si mesma, sem o concurso de um médium. Seria um efeito singular e um contra-senso um homem se transformar em máquina e um objeto inerte adquirir inteligência. Quando um homem agita colérico um bastão, não podemos admitir que o bastão está preso de cólera, nem mesmo a mão que o segura, mas sim o pensamento que dirige a mão. Em síntese, um espírito não se transforma em um objeto nem se domicilia neles. Ä Considerações gerais sobre o papel dos Médiuns nas Comunicações: Qualquer que seja a natureza dos médiuns conscientes, semiconscientes ou inconscientes os processos de comunicação não variam em sua essência. Os espíritos desencarnados se comunicam com os espíritos encarnados da mesma forma como fazem entre eles, tão só pela irradiação do pensamento. Quando encontram em um médium um cérebro povoado de conhecimentos latentes, obtidos em vidas anteriores e na existência atual que facilitem a comunicação, servem-se dele, preferencialmente. Isto ocorre porque o pensamento se comunica instantaneamente de espírito a espírito. Ä Da Influência Moral dos Médiuns: A questão 226 do Livro dos Médiuns traz duas importantes perguntas sobre a faculdade mediúnica: De acordo com os ensinos dos Espíritos, contidos no Livro dos Médiuns, compreendemos que a existência e o funcionamento da faculdade mediúnica independe das qualidades morais de quem a possui. Ä Existência da faculdade mediúnica independente da moral do médium: Através do estudo anterior, compreendemos que a faculdade mediúnica, propriamente dita, se radica (verbo radicar - v. tr. dir. e tr. dir. e ind. Enraizar; arraigar: infundir; pr. arraigar-se; firmar-se; fixar-se por meio de laços morais; consolidar-se. (Do lat. radicare.) no organismo. Certas organizações fisiológicas apresentam condições favoráveis ao surgimento de uma faculdade, pela predisposição que oferecem ao espírito nele encarnado de liberar-se com mais facilidade e adquirir percepções que no estado normal se acham embotadas pela densidade do corpo físico. Dessa forma, a faculdade mediúnica é uma função, por assim dizer automática, própria de certos organismos não se relacionando com as qualidades morais do indivíduo que a possui, assim como o coração trabalha independente dos sentimentos bons ou maus que a pessoa agasalha. Ä A importância da moral do médium na prática da mediunidade: Se o funcionamento da mediunidade independe das qualidades morais do médium, o mesmo não ocorre com a aplicação ou o uso da faculdade. Um médium poderá usá-la para o bem ou para o mal, de acordo com suas qualidades. O conhecimento da verdade está relacionado com a maturidade espiritual, ninguém conhece alguma coisa se não estiver amadurecido para entendê-la. O conhecimento das Leis Superiores da Vida, que normalmente vem ao homem através das revelações, como ocorreu com Moisés, Jesus e com o próprio Espiritismo, através da mediunidade, exige do homem, para que este o entenda, uma receptividade de ordem espiritual mais relacionada com as qualidades morais já conquistadas, ou seja, o conhecimento da verdade é proporcional ao desenvolvimento do senso moral. Ä Lei das Comunicações: A alma exerce sobre o espírito desencarnado uma espécie de atração, ou de repulsão, conforme o grau de semelhança existente entre eles. Os bons têm afinidade com os bons e os maus com os maus. Se o médium é vicioso pela lei da sintonia vibratória vai atrair espíritos viciosos. Assim todas as imperfeições morais constituem-se em portas abertas ao acesso dos maus espíritos. De todas as nossas imperfeições as que os espíritos inferiores exploram com mais habilidade é o orgulho. Ä Características dos médiuns bons: a) - Grande facilidade de comunicação: são dotados de sensibilidade mediúnica bastante acentuada, suscetíveis de fácil sintonia com os espíritos e transmitem a mensagem com fidelidade e autenticidade. Ä Caracteres dos médiuns imperfeitos: a) - Orgulho e egoísmo: As duas imperfeições mais exploradas pelos espíritos inferiores são o orgulho e o egoísmo, tais falhas de caráter têm posto a perder as mais belas e promissoras faculdades mediúnicas. O orgulho, nos médiuns traduz-se por sinais inequívocos, e interferem na confiabilidade das comunicações. b) - Confiança cega nas comunicações que recebem: O orgulho suscita (verbo suscitar - v. tr. dir. Fazer nascer; fazer aparecer; dar origem a; provocar; promover (Do lat. suscitare.) nos médiuns o desdém (s. m. Ato de desdenhar; desprezo profundo; sobranceria; altivez; desafetação.) por tudo aquilo que não provenha deles. Sentem-se donos da verdade e não admitem conselhos ou críticas, mesmo as construtivas, isolam-se e evitam aqueles que poderiam abrir-lhes os olhos. c) - Crença na infabilidade dos espíritos que os assistem: Deslumbram-se com o prestígio dos grandes nomes com que se adornam os espíritos que se denominam "seus protetores ou guias" e desprezam tudo o que não venha deles. Induzidos por esses próprios espíritos perdem o senso crítico e passam a considerar como sublimes as maiores absurdos. d) - Facilidade de cederem aos elogios: Os médiuns que possuem uma faculdade mais destacada são geralmente objetos de elogios e deferência, por parte de pessoas desavisadas que não percebem o mal que causam ao elogiarem algo que não resulta dos esforços dos médiuns, portanto não são méritos seus. Tais elogios indevidos insuflam-lhes a vaidade e levam-nos a julgarem-se infalíveis e indispensáveis. Daí o cuidado que se deve ter com os elogios fáceis, Lembremo-nos sempre da recomedação de André Luiz de que: " em se tratando da faculdade mediúnica:"O elogio é sempre dispensável". e) - Leviandade e vício: São defeitos graves pois que atraem para os médiuns que adotam esses comportamentos espíritos da mesma natureza, ou seja, levianos e viciosos, provocando o afastamento dos bons espíritos e sem assistência desses, tornam-se facilmente vítimas de mentiras e perfídias (s. f. Ação pérfida; deslealdade; traição; qualidade de pérfido. (Do lat. perfidia.). Sintetizando, o que caracteriza os médiuns imperfeitos é o seguinte: * confiança absoluta na superioridade das comunicações que obtêm; Ä Conseqüências do mau uso da Mediunidade: O médium que emprega mal a sua faculdade está se arriscando: Finalizando, faz-se necessário salientar que os bons espíritos somente se utilizarão de médiuns imperfeitos em circunstâncias extremas, quando não dispuserem de um médium bom ao seu alcance, mas o fazem com repugnância. O Espiritismo já moralizou suficientemente os adeptos sinceros, para que os Espíritos se vejam constrangidos a usar de maus instrumentos. Segundo André Luiz, a mediunidade, como instrumentação da vida, surge em toda a parte. O lavrador é o médium da colheita, a planta é o médium da frutificação e a flor é o médium do perfume. Em todos os lugares, damos e recebemos, filtrando os recursos que nos cercam e moldando-lhes a manifestação, segundo as nossas possibilidades.
Bibliografia: Kardec, Allan – O Livro dos Médiuns – 2.ª parte, capítulo XIX e XX. Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos – questões 425 e 439. Kardec, Allan - Revista Espírita – Outubro de 1859; abril, julho e agosto de 1.861 e Junho de 1863. Xavier, Francisco Cândido – Nos Domínios da Mediunidade – pelo Espírito de André Luiz. Franco, Divaldo Pereira e Teixeira, José Raul – Diretrizes de Segurança – questão n.º 69, Cap. VII referente aos Passes. Apostila do COEM – Centro de Orientação e Educação Mediúnica, do Centro Espírita Luz Eterna, Curitiba/PR – 8.ª e 9.ª sessões teóricas. Dicionário Brasileiro Globo Multimídia.
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