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Chamo-me Caridade
Espírito:
Cárita
Lião, 1861
Fonte: O Evangelho Segundo
O Espiritismo
Chamo-me Caridade; sigo o
caminho principal que conduz a Deus. Acompanhai-me, pois conheço a meta a
que deveis todos visar.
Dei esta manhã o meu giro
habitual e, com o coração amargurado, venho dizer-vos: Oh! meus amigos,
que de misérias, que de lágrimas, quanto tendes de fazer para secá-las
todas! Em vão, procurei consolar algumas pobres mães, dizendo-lhes ao
ouvido: Coragem! há corações bons que velam por vós; não sereis
abandonadas; paciência! Deus lá está; sois dele amadas, sois suas
eleitas. Elas pareciam ouvir-me e volviam para o meu lado os olhos
arregalados de espanto; eu lhes lia no semblante que seus corpos, tiranos
do Espírito, tinham fome e que, se é certo que minhas palavras lhes
serenavam um pouco os corações, não lhes reconfortavam os estômagos.
Repetia-lhes: Coragem! Coragem! Então, uma pobre mãe, ainda muito moça,
que amamentava uma criancinha, tomou-a nos braços e a estendeu no espaço
vazio, como a pedir-me que protegesse aquele entezinho que só encontrava,
num seio estéril, insuficiente alimentação.
Alhures vi, meus amigos,
pobres velhos sem trabalho e, em conseqüência, sem abrigo, presas de
todos os sofrimentos da penúria e, envergonhados de sua miséria, sem
ousarem, eles que nunca mendigaram, implorar a piedade dos transeuntes.
Com o coração túmido de compaixão, eu, que nada tenho, me fiz mendiga
para eles e vou, por toda a parte, estimular a beneficência, inspirar
bons pensamentos aos corações generosos e compassivos. Por isso é que
aqui venho, meus amigos, e vos digo: Há por aí desgraçados, em cujas
choupanas falta o pão, os fogões se acham sem lume e os leitos sem
cobertas. Não vos digo o que deveis fazer; deixo aos vossos bons corações
a iniciativa. Se eu vos ditasse o proceder, nenhum mérito vos traria a
vossa boa ação. Digo-vos apenas: Sou a caridade e vos estendo as mãos
pelos vossos irmãos que sofrem .
Mas, se peço, também
dou e dou muito. Convido-vos para um grande banquete e forneço a árvore onde todos vos
saciareis! Vede quanto é bela, como está carregada de flores e de
frutos! Ide, ide, colhei, apanhai todos os frutos dessa magnificente árvore
que se chama a beneficência. No lugar dos ramos que lhe tirardes, atarei
todas as boas ações que praticardes e levarei a árvore a Deus, que
a
carregará de novo, porquanto a beneficência é inexaurível.
Acompanhai-me, pois, meus amigos, a fim de que eu vos conte entre os que
se arrolam sob a minha bandeira. Nada temais; eu vos conduzirei pelo
caminho da salvação, porque sou - a Caridade. -
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