Mensagem
de Joanna de Ângelis
Tendo
em vista a obra de amor a que te encontras vinculado, muitas vezes
crês que desfalecerás sob o fardo de desilusões que te pesam
sobre os ombros.
Muitas
vezes, de coração estiolado por mil tormentos, pensas que
a desencarnação seria alívio para todas as dores.
Muitas
vezes, extenuado, consideras as sombras pesadas que te envolvem,
anulando esperança das tuas aspirações.
Muitas
vezes despertas enganado e vencido ante a vitória dos maus, como
se conduzisses fortes algemas de que não te podes libertar.
Muitas
vezes transformam-se em pesadelos os sonhos que anelavas com
carinho, fazendo-te recear.
Muitas
vezes, na queda em que te surpreendes, encontras, apenas, o lodo
da amargura, retendo-te em baixo e asfixiando-te com miasmas
pestosas, dificultando a ascensão.
Muitas
vezes, sem forças, tantas têm sido as lutas em que te encontras,
que gostarias de recomeçar a vida, tão somente para trilhar
vereda diferente da que percorres e na qual te sentes esmagado
pela incompreensão de quem deveria entender-te, daqueles a quem
amas e desejarias te amassem...
Não
te aflijas nem te queixes.
Aprimora
o pensamento e ora com fervor.
Se
já possuis a fortuna da oração habitual, ora mais...
Refugia-te
na paciência.
Cultiva
idéias superiores apesar de tudo.
Liga-te
ao bem atuante pelo pensamento, e o bem, por fim, atuará sobre
ti.
Os
pensamentos, em qualquer direção que os atires, são expressões
vivas que arremessas e que se corporificarão aqui ou alhures,
envolvendo-te ou envolvendo os outros.
Insiste
nas construções mentais superiores.
Não
consintas o conúbio da idéias deprimentes, mesmo quando magoado
ou ofendido.
Não
dês guarida a intercâmbios mentais nefastos, com inteligências
perniciosas da Erraticidade.
O
rio é escravo do leito, mas é arquiteto do próprio leito...
Invariavelmente
o mal que nos fazem é conseqüência do mal que fizemos.
Examina,
na aflição que agasalhas, se não terias sido aquele que
primeiro insultou ou feriu.
Medita
e descortinarás acontecimentos a que não ligavas, mas que foram
preponderantes no desentendimento, na luta...
Quase
sempre somos frutos dos nossos atos impensados, de nossas reações
irrefreadas.
Policia
as palavras, disciplina as atitudes...
Evita
toldar a água generosa do teu esforço positivo com a ira da
irreflexão.
A
árvore responde aos açoites que recebe com novos ramos que
estende, e a noite tranqüila revida as ofensas que lhe dirigem as
furnas sombrias bordando-se de estrelas.
Elege,
mesmo sofrendo, a humildade e a resignação como companheiras
valiosas de que não podes prescindir e avança, renovando-te cada
dia, perseverando a todo instante, na certeza de que a tempestade
que devasta é, igualmente, benfeitoria ignorada que arrasta
mazelas magnéticas, insetos nocivos, micróbios danosos e
descargas elétricas perniciosas, limpando o ar e vitalizando a
terra.
Segue,
assim, chorando, para realizar o bem no campo do amor sem fim.
"Buscai
primeiro o Reino de Deus e sua justiça..." - disse o Mestre,
a fim de que "tudo o mais fosse acrescentado".
Quem
se afervora à batalha de sublimação, perdoa e esquece ofensas,
males, dores e sombras, para pensar somente no "Reino dos Céus"
e, como por encanto, guardando a paz consigo, constata que tudo o
mais já se encontra acrescido no próprio coração, sem
necessidade de mais nada.
Joanna de Ângelis
Psicografia
de Divaldo P. Franco
Livro:
Dimensões da Verdade