Oração Inicial:
<lflavio> Amigos Jesus, no seu
Evangelho temos uma lição significativa, que sintonizamos neste
momento de prece, e relacionamos com o tema da noite: "Deixai vir a
mim as criancinhas, não as impeçais."
Mestre, quantas vezes as ficamos impedindo...
Quantas vezes as deixamos de lado... Mas, Mestre, como é bom, estarmos
aqui juntos, conversando sobre as crianças e sentindo a nossa
responsabilidade para com elas. Nos abençoa e nos intua, para podermos
aproveitar estes instantes preciosos de estudo e aprendizado. Envolva na
sua luz o nosso irmão Oswaldo, encarregado do estudo da noite e,
sentindo a sua luz, pedimos a tuas bençãos para o estudo da noite. Que
assim seja!
Apresentação do Palestrante:
<Oswaldo_Cruz> Boa noite. Que o Senhor da Vida
envolva-nos a todos. Trabalho no Centro Espírita Maria Angélica, no
Recreio dos Bandeirantes- RJ. Colaboro nas atividades de divulgação
doutrinária e evangelização da infância. Também participo do
programa "Estudo Dinâmico do Espiritismo" na Rádio Rio de
Janeiro. (t)
Considerações Iniciais do Palestrante:
<Oswaldo_Cruz> "Ver no coração infantil o esboço
da geração próxima". Assim, André Luiz inicia suas considerações
sobre a infância no livro "Conduta Espírita". Entendemos a
infância como sendo período fértil para a assimilação de valores os
mais diversos. Nossa responsabilidade como pais, educadores e
participantes da comunidade, de maneira geral, deve ser voltada ao
aproveitamento dessa facilidade de assimilação, para a construção de
um mundo melhor.
Observando nossas crianças, percebemos o quanto estão carentes de
bons exemplos; o quanto aproveitam o que lhes é oferecido, sem que
tenham chance de se defender. O quanto confiamos às emissoras de TV e
seus personagens a apresentação de valores que, evidentemente, não
condizem com aquilo que entendemos ser um padrão aceitável de
comportamento.
Trabalhando com crianças há alguns anos, percebemos o quanto a
omissão de muitos vem contribuindo para o cultivo de uma sociedade
ainda injusta e tão cheia de "esquecidos". É nossa
responsabilidade, como cristãos, trabalhar intensamente para que o
Reino de Deus chegue a cada coração, através de uma ativa participação
no meio em que vivemos, principalmente junto de nossas crianças. É um
terreno muito fértil e que precisa ser urgentemente trabalhado. (t)
Perguntas/Respostas:
<[Moderador]> <bic> Como é visto o uso de
alguma "energia" para a educação de nossos filhos. A palmada
é permitida ou nossos pais erraram flagrantemente?
<Oswaldo_Cruz> Uma das bases do trabalho de Pestalozzi era a de
que "o amor é o eterno fundamento da educação". Entendemos
que o relacionamento entre pais e filhos deve ser embasado no amor,
capaz de suprir as deficiências de ambos. Observamos, também, o
resultado da educação oferecida por pais que nunca utilizaram os
recursos da "palmada", e constatamos o sucesso dessas experiências.
Ora, sendo nós espíritas, nada mais justificável que utilizemos os
recursos excelentes que o Espiritismo nos oferece para educarmos nossas
crianças. Estaremos, então, contribuindo para uma sociedade justa,
equilibrada em que as relações baseiem-se no princípio do amor.
<[Moderador]> <lflavio> Qual a importância da
educação espirita para a formação da sociedade?
<Oswaldo_Cruz> A educação, por definição, constitui-se na
base da formação de uma sociedade saudável. Na mesma obra acima
citada, "Conduta Espírita", o autor menciona que
"Orientação da Infância, profilaxia do futuro".
<[Moderador]> [03] <tcla> Uma criança possui
mediunidade ostensiva? Qual seria o melhor procedimento de um
evangelizador percebendo isso?
<Oswaldo_Cruz> Em "O Livro dos Médiuns", somos
alertados para o inconveniente do desenvolvimento da faculdade mediúnica
nas crianças. Kardec alerta que devemos evitar tal prática, dada a
sensibilidade das crianças e a fragilidade de seus organismos. É feita
uma ressalva, entretanto, quanto à eclosão natural da mediunidade,
caso em que deve ser cuidadosamente avaliada.
De nossa parte, entendemos ser a Evangelização Infantil o recurso
adequado para a grande maioria desses casos, considerando,
principalmente, o objetivo principal da mediunidade para nós.
Entendemos aqui não a manifestação de espíritos tão somente, mas
como sendo parte de um conjunto que objetiva a educação do espírito
encarnado. Recomendamos sempre que a direção do Centro Espírita seja
consultada nesses casos.
<[Moderador]> <Cristiane Nakasuga> Como os pais
devem agir com o filho, quando nele sente a inclinação para jogos de
azar? Como pode, mesmo a criança freqüentando a evangelização,
compreendendo de maneira surpreendente os ensinamentos, ter dificuldade
em aplicá-las no dia-a-dia?
<Oswaldo_Cruz> A melhor atitude, além, naturalmente, da
conversa franca sobre o assunto, é demonstrar utilizando sempre o princípio
da caridade, o quanto os vícios de maneira geral vem contribuindo para
o desajuste social. E observem que, infelizmente, sempre há exemplos em
volta que podem servir para ilustrar o fato. Mas a caridade precisa
estar presente quando fizermos isso. Além disso, convém que o
Evangelizador seja informado para que este aja da forma mais discreta
possível.
<[Moderador]> <Lu-JF> Eu queria saber qual a visão
do Oswaldo sobre a evangelização infanto-juvenil. Como, na visão
dele, deve ser o evangelizador/educador espírita?
<Oswaldo_Cruz> Entendo a evangelização infanto-juvenil como
sendo a melhor contribuição que pode ser oferecida ao espírito
encarnado em seu processo evolutivo. O evangelizador infanto-juvenil/educador
espírita precisa conscientizar-se de sua importância nesse processo,
que tem orientação dos Espíritos Maiores, e deve manter-se atualizado,
visando dar sua melhor contribuição ao trabalho. Mais importante ainda
do que a atualização "pedagógica/técnica" é o sentimento
de amor que deve animá-lo na realização das atividades da evangelização
espírita infanto-juvenil.
Entretanto, ainda deve "estar no mundo, sem ser do mundo",
convivendo com a sociedade em que vive, vivificando aos que o cercam com
sua alegria de viver.
<[Moderador]> <tcla> Há inúmeros casos de
crianças que despertam a sexualidade ainda muito novas. Trazem essas idéias
como fixas e, na maioria das vezes, são motivos de repulsa e indignação.
Na infância, nos diz a Doutrina, as lembranças são, algumas vezes,
resgatadas das colônias em que estavam antes da reencarnação. Como
explicar tais comportamentos e como proceder diante de crianças como
essas?
<Oswaldo_Cruz> Somos todos, sem exceção, o conjunto do que
construímos ao longo de séculos incontáveis. Sabemos, como espíritas,
que aprendemos tanto encarnados como desencarnados e que, ao
desencarnarmos ou reencarnarmos, não mudamos o que somos. Nosso
aprendizado, embasado na vivência, fará com que construamos um novo
jeito de ser.
Quando a criança manifesta qualquer tendência, devemos enxergar o
espírito imortal que há nela, apresentando-se, mostrando-se como é. O
preconceito ou atitudes intempestivas, ao invés de contribuir para seu
processo educativo - e esse é o objetivo da reencarnação -, apenas
podem inibir a manifestação "natural" e aquilo que foi
observado vai deixar de sê-lo, porque simplesmente passou a ser feito
escondido.
Os pais precisam então, conscientes de seu papel como educadores, e
comprometidos com aquele espírito que ali está, iniciar intenso
trabalho educativo com base no amor, levando a criança a desenvolver
outros potenciais, minimizando, assim, a eclosão de algo que somente
deveria ter surgido a posteriori. É trabalho delicado, mas que
entendemos não ser algo que não possa ser levado a termo por aqueles
que se propuseram a receber um espírito em seu lar, como seu filho.
<[Moderador]> <Lu-JF> Como tratar o jovem espírita
com tendências homossexuais e preocupado entre o ser espírita e ter
essa tendência? E que está sentindo dentro de si a impossibilidade de
promover qualquer trabalho no Espiritismo por conta disso?
<Oswaldo_Cruz> Deve ser tratado com a maior naturalidade e
amor, sem nenhum tipo de discriminação. Deve ser envolvido de tal
forma que perceba que tem condições de contribuir para o trabalho. A
Doutrina Espírita não proíbe absolutamente nada e todos os espíritos
encarnados têm condições de contribuir na grande obra de transformação
da humanidade, sendo até mesmo os maiores beneficiários.
<[Moderador]> <lflavio> Educação Espirita é só
no Centro Espirita?
<Oswaldo_Cruz> Não. O processo deve ocorrer em toda a parte,
principalmente em casa. O trabalho no Centro Espírita deve ser um
complemento ao que deve ser desenvolvido pelos pais/responsáveis.
Ocorre, entretanto, que muitas vezes a Evangelização oferecida pelo
Centro Espírita é a única fonte de educação que a criança recebe.
E aí, vamos aproveitar todos os momentos em que a criança estiver
conosco para realizar o trabalho, sem desperdícios de tempo.
<[Moderador]> <Lu-JF> Qual o papel da
psicologia, pedagodia para a evangelização espírita?
<Oswaldo_Cruz> Oferecem embasamento técnico ao trabalho
realizado pelos evangelizadores. Cada evangelizador deve sempre
participar de treinamentos oferecidos no próprio movimento espírita,
que objetivam dar-lhe recursos para melhor desenvolver suas atividades.
<[Moderador]> <lflavio> Como contrabalançar os
modelos oferecidos pela televisão com os necessários ao
desenvolvimento moral das crianças?
<Oswaldo_Cruz> Na verdade, deveríamos filtrar o que nossas
crianças vêem e ouvem, impedindo que, sensíveis como são, fiquem
expostas a modelos distorcidos que não contribuem para o seu
crescimento espiritual. Ainda que esteja na moda. (t)
<[Moderador]> <Lu-JF> Como tratar a criança difícil
em salinha da evangelização?
<Oswaldo_Cruz> Com todo amor e carinho, exercitando a paciência
e a tolerância, pois ela é a maior e principal necessitada do grupo.
É a cota diária do Evangelizador no exercício do bem.
<[Moderador]> <tcla> Em que currículo se
baseiam os Centros Espíritas para elaborarem os planos da Evangelização
Infantil? Como são montados esses currículos? Existe um que seja a nível
nacional?
<Oswaldo_Cruz> Esses programas podem ser adaptados à realidade
local de cada Centro Espírita e são elaborados a partir das experiências
de pessoas com profundas ligações com a Evangelização da Infância.
Considerações Finais do Palestrante:
<Oswaldo_Cruz> A infância é realmente um período
muito importante em nossas vidas. Não podemos desperdiçar
oportunidades que surgem em todos os momentos para oferecer nossa melhor
contribuição para um mundo mais saudável e justo.
Uma sociedade baseada nos valores do espírito e sua origem divina.
Evangelizar a criança é semear o Reino de Deus em nós. É ter a
certeza de que estamos oportunizando ao espírito em sua caminhada rumo
ao progresso, caminhos menos tortuosos, com a segurança de quem anda
com a luz.
O apelo "Evangelize, coopere com Jesus" é mais atual que
nunca e hoje somos realmente convidados a contribuir nessa causa tão
nobre. Que o Senhor ilumine nosso caminhos, abençoando nossos propósitos.
Boa noite.
Oração Final:
<[Moderador]> Deus Pai, obrigado
por mais esta oportunidade de estudos que aqui tivemos. Agradecemos de
coração as palavras de esclarecimento que nos foram trazidas por
intermédio do amigos Oswaldo. Que ele possa ser sempre amparado por ti,
para que continue esse trabalho bonito que hoje tivemos a oportunidade
de vivenciar.
Que as palavras que hoje aqui fora digitas e
lidas, possam sair de "nossas telinhas" em direção aos
nossos corações, nos tornando pessoas melhores, mais preparadas para a
educação desse nova geração de espíritos que está chegando e que
conta conosco para a construção de um mundo cada vez mais feliz.
Permanece conosco, Pai amado. Que assim seja!
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