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JOANNA DE ÂNGELIS
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No dia 20 de fevereiro de 1822, Joanna Angélica de Jesus desencarna em
Salvador, Bahia.
Um espírito que irradia ternura e sabedoria, despertando-nos para a vivência
do amor na sua mais elevada expressão, mesmo que, para vivê-lo,
seja-nos imposta grande soma de sacrifícios.
Trata-se do Espírito que se faz conhecido pelo nome JOANNA DE ÂNGELIS, e
que, nas estradas dos séculos, vamos encontrá-la na mansa figura
de JOANA DE CUSA, numa discípula de Francisco de Assis, na
grandiosa SÓROR JUANA INÉS DE LA CRUZ e na intimorata JOANA ANGÉLICA
DE JESUS.
Conheça agora cada um deste personagens que marcaram a história com o
seu exemplo de humildade e heroísmo.
JOANA DE CUSA
Joana de Cusa, segundo informações de Humberto de Campos, no livro
"Boa Nova", era alguém que possuía verdadeira fé. Narra
o autor que: "Entre a multidão que invariavelmente acompanhava
JESUS nas pregações do lago, achava-se sempre uma mulher de rara
dedicação e nobre caráter, das mais altamente colocadas na
sociedade de Cafarnaum. Tratava-se de Joana, consorte de Cusa,
intendente de Ântipas, na cidade onde se conjulgavam interesses
vitais de comerciantes e de pescadores".
O seu esposo, alto funcionário de Herodes, não lhe compartilhava os
anseios de espiritualidade, não tolerando a doutrina daquele Mestre
que Joana seguia com acendrado amor. Vergada ao peso das injunções
domésticas, angustiada pela incompreensão e intolerância do
esposo, buscou ouvir a palavra de conforto de JESUS que, ao invés
de convidá-la a engrossar as fileiras dos que o seguiam pelas ruas
e estradas da Galiléia, aconselhou-a a seguí-lo a distância,
servido-O dentro do próprio lar, tornando-se um verdadeiro exemplo
de pessoa cristã, no atendimento ao próximo mais próximo: seu
esposo, a quem deveria servir com amorosa dedicação, sendo fiel a
Deus, amando o companheiro do mundo como se fora seu filho.
JESUS traçou-lhe um roteiro de conduta que lhe facultou viver com resignação
o resto de sua vida.
Mais tarde, tornou-se mãe.
Com o passar do tempo, as atribuições foram-se avolumando. O esposo, após
uma vida tumultuada e inditosa, faleceu, deixando Joana sem recursos
e com o filho para criar. Corajosa, buscou trabalhar. Esquecendo
"o conforto da nobreza material, dedicou-se aos filhos de
outras mães, ocupou-se com os mais subalternos afazeres domésticos,
para que seu filhinho tivesse pão". Trabalhou até a velhice.
Já idosa, com os cabelos embranquecidos, foi levada ao circo dos martírios,
juntamente com o filho moço, para testemunhar o amor por JESUS, o
Mestre que havia iluminado a sua vida acenando-lhe com esperanças
de um amanhã feliz.
Narra Humberto de Campos, no livro citado:
"Ante o vozerio do povo, foram ordenadas as primeiras flagelações.
- Abjura!... - exclama um executor das ordens imperiais, de olhar cruel e
sombrio.
A antiga discípula do Senhor contempla o céu, sem uma palavra de negação
ou de queixa. Então o açoite vibra sobre o rapaz seminu, que
exclama, entre lágrimas: - "Repudia a JESUS, minha mãe!...
Não vês que nós perdemos?! Abjura!... por mim, que sou teu
filho!..."
Pela primeira vez, dos olhos da mártir corre a fonte abundante das lágrimas.
As rogativas do filho são espadas de angústia que lhe retalham o
coração.
Após recordar sua existência inteira, responde:
"- Cala-te, meu filho! JESUS era puro e não desdenhou o sacrifício.
Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque, acima de todas as
felicidades transitórias do mundo, é preciso ser fiel a
DEUS!"
Logo em seguida, as labaredas consomem o seu corpo envelhecido,
libertando-a para a companhia do seu Mestre, a quem tão bem soube
servir e com quem aprendeu a sublimar o amor.
UMA DISCÍPULA DE FRANCISCO DE ASSIS
Séculos depois, Francisco, o "Pobrezinho de Deus", o "Sol
de Assis", reorganiza o "Exército de Amor do Rei
Galileu", ela também se candidata a viver com ele a
simplicidade do Evangelho de Jesus, que a tudo ama e compreende,
entoando a canção da fraternidade universal.
SOROR JUANA INÉS
DE LA CRUZ
No século XVII ela reaparece no cenário do mundo, para mais uma vida
dedicada ao Bem. Renasce em 1651 na pequenina San Miguel Nepantla, a
uns oitenta quilômetros da cidade do México, com o nome de JUANA
DE ASBAJE Y RAMIREZ DE SANTILLANA, filha de pai basco e mãe indígena.
Após 3 anos de idade, fascinada pelas letras, ao ver sua irmã aprender a
ler e escrever, engana a professora e diz-lhe que sua mãe mandara
pedir-lhe que a alfabetizasse. A mestra, acostumada com a
precocidade da criança, que já respondia às perguntas que a irmã
ignorava, passa a ensinar-lhe as primeiras letras.
Começou a fazer versos aos 5 anos.
Aos 6 anos, Juana dominava perfeitamente o idioma pátrio, além de
possuir habilidades para costura e outros afazeres comuns às
mulheres da época. Soube que existia no México uma Universidade e
empolgou-se com a idéia de no futuro, poder aprender mais e mais
entre os doutores. Em conversa com o pai, confidenciou suas
perspectivas para o futuro. Dom Manuel, como um bom espanhol, riu-se
e disse gracejando:
-"Só se você se vestir de homem, porque lá só os rapazes ricos
podem estudar." Juana ficou surpresa com a novidade, e logo
correu à sua mãe solicitando insistentemente que a vestisse de
homem desde já, pois não queria, em hipótese alguma, ficar fora
da Universidade.
Na Capital, aos 12 anos, Juana aprendeu latim em 20 aulas, e português,
sozinha. Além disso, falava nahuatl, uma língua indígena. O Marquês
de Mancera, querendo criar uma corte brilhante, na tradição européia,
convidou a menina-prodígio de 13 anos para dama de companhia de sua
mulher.
Na Corte encantou a todos com sua beleza, inteligência e graciosidade,
tornando-se conhecida e admirada pelas suas poesias, seus ensaios e
peças bem-humoradas. Um dia, o Vice-rei resolveu testar os
conhecimentos da vivaz menina e reuniu 40 especialistas da
Universidade do México para interrogá-la sobre os mais diversos
assuntos. A platéia assistiu, pasmada, àquela jovem de 15 anos
responder, durante horas, ao bombardeio das perguntas dos
professores.
E tanto a platéia como os próprios especialistas aplaudiram-na, ao
final, ficando satisfeito o Vice-rei. Mas, a sua sede de saber era
mais forte que a ilusão de prosseguir brilhando na Corte.
A fim de se dedicar mais aos seus estudos e penetrar com profundidade no
seu mundo interior, numa busca incessante de união com o divino,
ansiosa por compreender Deus através de sua criação, resolveu
ingressar no Convento das Carmelitas Descalças, aos 16 anos de
idade. Desacostumada com a rigidez ascética, adoeceu e retornou à
Corte. Seguindo orientação de seu confessor, foi para a ordem de São
Jerônimo da Conceição, que tem menos obrigações religiosas,
podendo dedicar-se às letras e à ciência. Tomou o nome de SÓROR
JUANA INÉS DE LA CRUZ.
Na sua confortável cela, cercada por inúmeros livros, globos terrestres,
instrumentos musicais e científicos, Juana estudava, escrevia seus
poemas, ensaios, dramas, peças religiosas, cantos de Natal e música
sacra. Era freqüentemente visitada por intelectuais europeus e do
Novo Mundo, intercambiando conhecimentos e experiências.
A linda monja era conhecida e admirada por todos, sendo os seus escritos
popularizados não só entre os religiosos, como também entre os
estudantes e mestres das Universidades de vários lugares. Era
conhecida como a "Monja da Biblioteca".
Se imortalizou também por defender o direito da mulher de ser
inteligente, capaz de lecionar e pregar livremente.
Em 1695 houve uma epidemia de peste na região. Juana socorreu durante o
dia e a noite as suas irmãs reliogiosas que, juntamente com a
maioria da população, estavam enfermas. Foram morrendo, aos
poucos, uma a uma das suas assistidas e quando não restava mais
religiosas, ela, abatida e doente, tombou vencida, aos 44 anos de
idade.
SÓROR JOANA ANGÉLICA DE JESUS
Passados 66 anos do seu regresso à Pátria Espiritual, retornou, agora na
cidade de Salvador na Bahia, em 1761, como JOANA ANGÉLICA, filha de
uma abastada família. Aos 21 anos de idade ingressou no Convento da
Lapa, como franciscana, com o nome de SÓROR JOANA ANGÉLICA DE
JESUS, fazendo profissão de Irmã das Religiosas Reformadas de
Nossa Senhora da Conceição. Foi irmã, escrivã e vigária,
quando, e, 1815, tornou-se Abadessa e, no dia 20 de fevereiro de
1822, defendendo corajosamente o Convento, a casa do Cristo, assim
como a honra das jovens que ali moravam, foi assassinada por
soldados que lutavam contra a Independência do Brasil.
Nos planos divinos, já havia uma programação para esta sua vida no
Brasil, desde antes, quando reencarnara no México como Sóror Juana
Inés de La Cruz. Daí, sua facilidade estrema para aprender português.
É que, nas terras brasileiras, estavam reencarnados, e
reencarnariam brevemente, Espíritos ligados a ela, almas
comprometidas com a Lei Divina, que faziam parte de sua família
espiritual e aos quais desejava auxiliar.
Dentre esses afeiçoados a Joanna de Ângelis, destacamos Amélia
Rodrigues, educadora, poetisa, romancista, dramaturga, oradora e
contista que viveu no fim do século passado ao início deste.
JOANNA NA ESPIRITUALIDADE
Quando, na metade do século passado, "as potências do Céu" se
abalaram, e um movimento de renovação se alastrou pela América e
pala Europa, fazendo soar aos "quatro cantos" a canção
da esperança com a revelação da vida imortal, Joanna de Ângelis
integrou a equipe do Espírito de Verdade, para o trabalho de
implantação do Cristianismo redivivo, do Consolador prometido por
Jesus.
E ela, no livro "Após a Tempestade", em sua última mensagem,
referindo-se aos componentes de sua equipe de trabalho diz:
"Quando se preparavam os dias da Codificação Espírita,
quando se convocavam trabalhadores dispostos à luta, quando se
anunciavam as horas preditas, quando se arregimentavam seareiros
para Terra, escutamos o convite celeste e nos apressamos a oferecer
nossas parcas forças, quanto nós mesmos, a fim de servir, na ínfima
condição de sulcadores do solo onde deveriam cair as sementes de
luz do Evangelho do Reino."
Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" vamos encontrar duas
mensagens assinadas por "Um Espírito amigo". A primeira,
no Cap. IX, item 7 com o título "A paciência", escrita
em Havre, 1.862. A segunda no Cap. XVIII itens 13 e 15 intitulada
"Dar-se-á àquele que tem", psicografada no mesmo ano que
a anterior, na cidade de Bordéus. Se observarmos bem, veremos a
mesma Joanna que nos escreve hoje, ditando no passado uma bela página,
como o modelo das nossas atitudes, em qualquer situação.
No mundo Espiritual, Joanna estagia numa bonita região, próxima da
Crosta terrestre.
Quando vários Espíritos ligados a ela, antigos cristãos equivocados se
preparavam para reencarnar, reuniu a todos e planejou construir na
Terra, sob o céu da Bahia no Brasil, uma cópia, embora imperfeita,
da Comunidade onde estagiava no Plano Espiritual, com o objetivo de,
redimindo os antigos cristãos, criar uma experiência educativa que
demonstrasse a viabilidade de se viver numa comunidade, realmente
cristã, nos dias atuais. Espíritos gravemente enfermos, não
necessariamente vinculados aos seus orientadores encarnados, viriam
na condições de órfãos, proporcionando oportunidade de
burilamento, ao tempo em que, eles próprios, se iriam liberando das
injunções cármicas mais dolorosas e avançando na direção de
Jesus.
Engenheiros capacitados foram convidados para traçarem os contornos
gerais dos trabalhos e instruírem os pioneiros da futura Obra.
Quando estava tudo esboçado, Joanna procurou entrar em contato com
Francisco de Assis, solicitando que examinasse os seus planos e
auxiliasse na concretização dos mesmos, no Plano Material.
O "Pobrezinho de Deus" concordou com a Mentora e se prontificou
a colaborar com a Obra, desde que "nessa Comunidade jamais
fosse olvidado o amor aos infelizes do mundo, ou negada a Caridade
aos "filhos do Calvário", nem se estabelecesse a presunção
que é vérmina a destruir as melhores edificações do sentimento
moral.
Quase um século foi passado, quando os obreiros do Senhor iniciaram na
Terra, em 1947, a materialização dos planos de Joanna, que
inspirava e orientava, secundada por Técnicos Espirituais dedicados
que espalhavam ozônio especial pela psicosfera conturbada da região
escolhida, onde seria construída a "Mansão do Caminho",
nome dado à alusão à "Casa do Caminho" dos primeiros
cristãos.
Nesse ínterim, os colaboradores foram reencarnando, em lugares diversos,
em épocas diferente, com instrução variada e experiências
diversificadas para, aos poucos, e quando necessário, serem
"chamados" para atender aos compromissos assumidos na
espiritualidade. Nem todos, porém, residiriam na Comunidade, mas,
de onde se encontrassem, enviariam a sua ajuda, estenderiam a
mensagem evangélica, solidários e vigilantes, ligados ao trabalho
comum.
A Instituição crescendo sempre comprometida a assistir os sofredores da
Terra, os tombados nas provações, os que se encontram a um passo
da loucura e do suicídio.
Graças às atividades desenvolvidas, tanto no plano material como no
plano espiritual, com a terapia de emergência a recém-desencarnados
e atendimentos especiais, a "Mansão do Caminho" adquiriu
uma vibração de espiritualidade que suplantas humanas vibrações
dos que ali residem e colaboram.